Postado em 28 de Novembro de 2017 às 20h23

Artistas reunidos em prol do esporte

Completando um ano da tragédia que assolou Chapecó, artistas se reúnem em torno da Arena Condá para eternizar uma homenagem ao time.

No dia 29 de novembro de 2016, Chapecó amanheceu de luto. A aeronave que transportava a delegação da Associação Chapecoense de Futebol à Colômbia sofreu um acidente e, das 77 pessoas a bordo, apenas seis foram resgatadas com vida. Equipe técnica, empresários, conselheiros convidados e imprensa local viajavam juntos para o jogo contra o Atlético Nacional de Medellín, pela final da Copa Sul-Americana.

A cidade, a nação e o mundo inteiro choraram a tragédia, e agora, um ano depois, o sentimento é de saudade.

Tomado pelo emoção e a ligação com o esporte, o artista plástico Paulo Consentino veio com sua equipe a Chapecó para presentear a cidade com uma linda homenagem. Em uma das laterais da Arena Condá é possível ver um enorme mural tomando forma, onde está sendo pintado os rostos dos jogadores que disputariam a partida que nunca aconteceu. “O contato foi bilateral. A Chapecoense me procurou e eu os procurei. Quando houve o acidente, como torcedor e amante do futebol, aquilo me afetou demais. Acredito que todas as pessoas que têm envolvimento com o esporte se sentiram da mesma maneira”, emociona-se Paulo.

O artista viaja o mundo inteiro “pintando o futebol”. Um de seus trabalhos foi o mural para o centenário do Santos Futebol Clube. Atualmente residindo em Barcelona, Espanha, não deixou de sentir o pesar pela Chapecoense, mesmo de longe. “Quando entrei em contato com meu amigo Vitor Hugo (chefe do departamento de desempenho da Chapecoense, que não havia viajado naquele dia), ele comentou que, antes do acidente, a Chape queria fazer comigo o que tinha feito para o Santos. E por todo o meu envolvimento com o Santos, quando descobri que o Neto era um dos sobreviventes do acidente (o zagueiro Neto passou pelo Santos entre 2013 e 2014), fiz um muro dele, em Barcelona. Isso acabou recebendo uma divulgação e chegou até a Chapecoense, onde iniciamos um diálogo para fazer um trabalho aqui”, conta.

A partir de então, uma mobilização de agenda e patrocínio se iniciou para que a obra acontecesse. “Este projeto é uma parceria com a Prefeitura de Chapecó, a Chapecoense e conta com o patrocínio das Tintas Coral, portanto não terá custo algum ao município ou o Clube. É o nosso presente para os chapecoenses”, salienta Consentino.

Holiday & Business Hotel - 'Um gol para a eternidade'
'Um gol para a eternidade'
Holiday & Business Hotel - Paulo trabalha nas escalas do mural
Paulo trabalha nas escalas do mural
Holiday & Business Hotel - O grupo de artistas Luma Assis, Simone Anjos, Ricardo Chiaradia e Paulo Consentino
O grupo de artistas Luma Assis, Simone Anjos, Ricardo Chiaradia e Paulo Consentino

Um gol para a eternidade

Holiday & Business Hotel Um gol para a eternidade No entender do artista, a trajetória da Chapecoense já merece um destaque. Por isso, o conceito do mural não é falar de uma tragédia, mas de uma vitória....

No entender do artista, a trajetória da Chapecoense já merece um destaque. Por isso, o conceito do mural não é falar de uma tragédia, mas de uma vitória. Expressar a esperança, o renascimento, a sobrevivência do time e a acolhida da cidade, bem como a torcida do Brasil inteiro. “A gente sempre busca uma história que tenha uma distinção. E a Chapecoense tem tudo: grandes personagens, um grande clube, um grande momento, uma grande torcida e uma grande história”, afirma.

Por isso, a arte vem representar o que não pode ser proferido em palavras. Intitulado “Um Gol para a Eternidade”, a obra retrata os rostos dos atletas relacionados para o jogo que ocorreria no dia 30 de novembro de 2016. “Vamos pintar aquele gol que nunca aconteceu pelo título, mas estará plasmado aqui, junto da torcida, em direção ao campo, tudo voltado para a Arena. Tem toda um conceito de como representar isso”.

Ciente da responsabilidade que carrega, Consentino busca a preservação da memória do esporte através da arte. “Uso o street art para reverenciar o esporte que eu amo, para perpetuar a recordação de grandes feitos do futebol. E o futebol, como a arte, une as pessoas. E esse é um trabalho de união. Estou honrado em estar aqui, neste momento, e emocionado com a recepção das pessoas”, relata.

Sentimento compartilhado pela sua equipe. As mãos dos artistas Simone Anjos, Ricardo “Rim” Chiaradia e Luma Assis também ajudam a dar vida ao grande muro da Arena Condá. “Acompanho o Paulo há seis anos e este mural tem uma carga emocional ainda maior. Temos muito cuidado e respeito por isso. É um desafio, não só pela emoção, mas pelo tamanho. É um trabalho grande, complexo e delicado”, explica Simone.

A trupe de artistas está hospedada no Holiday & Business Hotel, localizado próximo da Arena Condá, e destaca o acolhimento dos chapecoenses. “Estamos impressionados com todo o carinho e respeito que recebemos por onde passamos. No hotel, nas ruas, na cidade inteira”, encanta-se o grupo.

A saudade eternizada na memória

Holiday & Business Hotel A saudade eternizada na memória No dia 11 de novembro, em um evento fechado, cada família dos falecidos no acidente recebeu um quadro como parte de uma homenagem. O artista chapecoense Digo Cardoso desenvolveu as...

No dia 11 de novembro, em um evento fechado, cada família dos falecidos no acidente recebeu um quadro como parte de uma homenagem. O artista chapecoense Digo Cardoso desenvolveu as obras, que agora serão replicadas por todo o muro do estacionamento do Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, ao lado da Arena Condá. Uma honra e uma responsabilidade enormes, salienta o artista. “Poder fazer parte dessa história, presenteando as famílias e tentar, de uma forma, levar uma cor a eles, é uma verdadeira honra. É uma pena que precise existir sacrifícios para que os exemplos surjam, mas Medellín e o mundo inteiro nos deram exemplos de solidariedade como herança desta fatalidade”, ressalta Digo.

Para o Prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, neste momento, em que se completa um ano, é feita uma retrospectiva. “Estávamos em profunda tristeza, um vazio muito grande. E hoje ele acabou ‘cambiando’, como dizem os colombianos, para um sentimento de recuperação, celebração da vida e a verdadeira definição da palavra ‘resiliência’”, diz Buligon, com a voz embargada.

Muito mais que a reconstrução de um time, são as reconstruções das vidas dos que ficaram. Da dor à saudade e, assim como Chapecó chorou junta, agora se abraça mutuamente para garantir que nossos heróis jamais serão esquecidos.

 

*Reportagem e fotos: Carol Bonamigo | Assessoria de Imprensa Holiday & Business Hotel

Holiday & Business Hotel - Prefeito Luciano Buligon com os artistas Paulo Consentino e Digo Cardoso.
Prefeito Luciano Buligon com os artistas Paulo Consentino e Digo Cardoso.

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